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Publicação Mensal - Ano I - Número 2 - 1 de Junho de 2008 - São Paulo - SP -  Editoria: marialuiza@kellyneta.com.br

COLUNAS

Ou... Cantinhos Especiais!

Cantinho da
Cris Camps

O PERIGO MORA AO LADO


          Olá pessoal,

          Quem não leu ou pelo menos teve em suas mãos uma revista Seleções até hoje?...Difícil né?

          Acho que todo mundo já leu os artigos e contos dessa “simpátiquinha” publicação mensal do Reader´s Digest pelo menos uma vez na vida. A revista, com 85 anos de vida e 65 desses no Brasil, é a mais lida em todo o mundo.

          Pois bem, nessa edição e nas próximas da Gazeta da Kelly, vou trazer algumas curiosas publicações desses anos de sua existência. 

          Hoje:...

  O GOVERNADOR QUE USAVA TRAJES FEMININOS

 

          A aristocrata elegantemente vestida que presidiu a abertura da Assembléia de Nova York em 1702, em nome da Rainha Ana, estava de fato magnífica. Assombrados, os espectadores admiravam o vestido extravagantemente armado, a cabeleira elegante, e o leque delicado. Surpreendentemente, essa personagem sobre a qual recaíam as atenções, trajando rigorosamente à moda, era Lord Cornbury, o governador da cidade.

          Quando outras entidades presentes à cerimônia se queixavam, ofendidas e chocadas, de que o representante da Rainha os ridicularizara, este respondeu: “...sois estúpidos se não compreendeis a razão de meu comportamento. Neste lugar e nesta ocasião eu represento uma mulher, e devo, sob todos os aspectos, representá-la o mais fielmente possível...”

          Lord Cornbury foi severamente acusado por alguns dos seus contemporâneos de prejudicar mais gravemente o domínio inglês na América do que qualquer outro representante real.

          Foram-lhe atribuídos os cargos de capitão-general e governador-geral de Nova York e Nova Jersey apenas por ser primo da rainha, mas era totalmente ineficaz como administrador. Na sua vida particular existia um curioso paradoxo: embora esbanjasse dinheiro com prodigalidade era tão mesquinho com a mulher, que esta se via obrigada a roubar.

          Mas a mais notável das excentricidades do par do reino, era o seu hábito freqüente de se vestir como mulher.

          Alguns dos seus amigos mais íntimos afirmavam que ele cumpria um voto misterioso, usando roupas femininas um mês em cada ano. Outros alegavam que o verdadeiro motivo que obedecia era a sua convicção de que se parecia com a rainha. A explicação mais aceita era a de que, quando a rainha o nomeava para a representar na América, aceitara o encargo absolutamente à letra.

          Uma mulher que com ele travou conhecimento em Nova York afirmou: “...era um homem corpulento, que se via frequentemente nas ruas à noite, usando saias de balão e cabeleira...”

          Um homem escreveu sobre Lord Cornbury nos seguintes termos: “...é um perdulário, um corrupto, um opressor fanático, um louco bêbado e inútil...”. Outro declarou a seu respeito: “...é um gastador frívolo, um trapaceiro imprudente e um incompetente detestável...”

          Em 1708 Lord Cornbury foi mandado regressar a Inglaterra, mas foi detido e conservado preso até pagar as suas dívidas. Os seus talentos, porém, acabaram finalmente por serem reconhecidos. Em 1711 foi nomeado membro do conselho privado de Sua Majestade.

 

          Que história né gente?...há 300 anos já existia Cdzinha arrumando desculpa para sair montada às ruas. Mas lembrem-se sempre: Saiam às ruas montadas sem problemas, mas não deixem de pagar suas continhas, porque senão vocês serão designadas com os mesmos adjetivos desagradáveis de Lord Cornbury, e poderão pagar suas dívidas no xilindró...

          Beiijuusss,

Cristina Camps
Dir. Contatos Reais BCC
www.criscamps.net 


Viva Bem, Viva Mais.
Marcia Elisa Polari

7 Chaves da Longevidade


         
Desde Ponce de Léon, a busca da fonte da juventude já mobilizava corações e mentes e servia de inspiração para escritores e por que não dizer também para cientistas e estudiosos do processo de envelhecimento.  

          Em primeiro lugar, como médica geriatra, devo dizer que não sou adepta da cultura do “me engana que eu gosto” e da infantilização que predomina no discurso sobre a questão, com eufemismos do tipo “melhor idade”, “FelizIdade” e até mesmo a indecifrável “terceira idade”, como que tiradas do Dr. Pangloss, em Candide, de Voltaire.  

          O relógio biológico da espécie humana, foi regulado para funcionar, no máximo, até mais ou menos os 120 anos, segundo estimativas com melhor aproximação, com base em simulações genéticas e de bio-informática.  

          O que faz com que esse relógio seja inexoravelmente adiantado é uma combinação de fatores alheios à nossa vontade, ditados principalmente por genética, doenças degenerativas próprias do envelhecimento, hábitos de vida e outras intercorrências como doenças infecciosas no decorrer da vida, associados com a nossa própria negligência sobre a importância da prevenção e manutenção da saúde. O que faz da nossa cronologia uma espécie de conta corrente; cada gripe, menos seis meses e por aí vai...  

          A OMS considera, para fins estatísticos para medir a população idosa, a idade acima de 60 anos. Assim, a população de idosos no Brasil seria algo em torno de 9%. Como parâmetro de comparação, o Japão já tem 27%, países escandinavos 22%, países baixos 20%, Estados Unidos 17%, etc. Sendo um país de jovens, sem programas de planejamento familiar, é natural que nosso índice seja baixo, mas a boa notícia é que nas últimas décadas a expectativa de vida do brasileiro, ao nascer, aumentou bastante e hoje é calculada em 75 anos para mulheres e 68 anos para os homens.  

          Ao longo de três décadas dedicadas à clínica médica e geriatria, não descobri a tal poção mágica da juventude, mas pude observar e identificar na população de pacientes, o que eu chamaria de envelhecimento bem sucedido e os traços comuns presentes entre eles.  

          Muitos deles são características individuais de personalidade, traços familiares, quase genéticos que não podem ser mudados e dificilmente aprendidos e incorporados, mas que podem servir como gatilhos ou “insights” para nossa percepção e quem sabe, descoberta de equivalentes pré-existentes dentro de nós mesmas.  

          Outras são atitudes e posturas diante dos fatos da vida, fruto de estratégias mentais bem sucedidas, que podem ser modeladas, reproduzidas, ensinadas, adquiridas e incorporadas ao nosso próprio arsenal, como ferramentas de sucesso para a manutenção da saúde física e mental mesmo em idade avançada.  

          Saúde, tal como definida hoje pela OMS, não é simplesmente ausência de doença, mas um conjunto de propriedades e recursos que o individuo deve dispor para sua vida cotidiana, que lhe proporcionem bem-estar sócio-econômico e cultural, autonomia, independência, e liberdade, entre outras coisas.  

          A idéia das 7 chaves está ligada a esse conceito, ou seja, cada uma das chaves abre a porta que precisa ser aberta. Nem todos usarão todas elas e algumas pessoas apresentam nuances que demandam bem mais que 7.

          Mas estas eu garanto que funcionam e cada um pode usar a que melhor se encaixe.  

          A chave número 1, que iremos abordar na próxima edição, é a chave dos metaprogramas, sob o tema “O que você vai ser quando crescer?”


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Marcia Elisa Polari
marcia.polari@yahoo.com.br

Tunica em
Prosas e Versos
*** O ALEIJADO ***

I

          O aleijado conhecera dias mais felizes; agora, no entanto, seu estado era de miséria e de doença. Assim ele se encontrava.Quando o aleijado tinha feito sete anos, ficara com as pernas esmagadas por uma carruagem, na estrada que ligava Petrópolis ao Rio. Uma ferida feia em sua cabeça também deixou seqüelas em seu pensar e proceder doravante. Totalmente incapaz desde então, mendigou, arrastando-se ao longo dos caminhos, através das ruas e pátios das quintas, balouçando-se nas muletas, que lhe tinham feito levantar os ombros à altura das orelhas. A posição de sua cabeça, ao empunhar as mesmas dir-se-ia enterrada entre duas montanhas. Antes de ter sido atropelado, sua triste sina dava-o como enjeitado e encontrado à míngua  num fosso, pelo pároco Frei Antunes, na véspera do dia de Finados. Batizado em razão disso como Aparecido do Fosso, foi educado na base da caridade de qualquer alma que lhe estendesse as mãos.

          Daí que o aleijado ficara estranho a todo e qualquer grau de instrução. Dono de triste figura,  estropiado depois de ter bebido alguns copos de aguardente oferecidos pelo padeiro da aldeia, para que fizesse todos rir, não tardou em dar em vagabundo. O aleijado nada sabia fazer que estender a mão à caridade...Outrora, a baronesa dos Coquinhos, dona de algumas mansardas piolhentas no lugarejo, compadecida de sua situação , tinha concedido ao aleijado, para dormir, uma espécie de nicho cheio de palha, ao lado do galinheiro, na herdade que se ligava ao casarão onde residia: e ele ,ali se deixava ficar, ao abrigo e certo de que nos dias de grande fome, encontraria sempre um pedaço de pão e um copo de cachaça na cozinha mais próxima. Muitas vezes, recebia também algumas patacas atiradas pela velha senhora do alto da sua escadaria ou das janelas do seu quarto. Porém, ela morrera no último inverno, de sorte que o tinham enxotado do galinheiro...

          Fora do lugarejo porém, não lhe davam nada... Conheciam-no por demais; estavam todos enjoados; havia quarenta anos que o aleijado passava o deformado corpo andrajoso sobre as suas duas patas de madeira. Todavia, o aleijado não queria deixar aquele lugar. Até porque não conhecia outra coisa sobre a Terra a não ser aquelas três ou quatro aldeiotas onde arrastara a sua vida miserável. Marcara inconscientemente seus limites e não teria nunca passado os limites que se acostumara...Ignorava se o mundo se estenderia ainda muito para além das árvores que sempre tinham servido de limite à sua vida. Nem sequer o perguntava a si próprio. E quando os sitiantes e comerciantes, cansados de o encontrarem todos os dias à beira dos seus campos ou vendas, lhe gritavam:

          - Aleijado, porque não vai para as outras aldeias, em lugar de ficar andando sempre a muletar por aqui?

          Ele não respondia e afastava-se, tomado de um medo vago pelo desconhecido, de um medo de pobre que receia confusamente mil coisas... as novas caras, as injurias, os olhares de desconfiança e suspeita das pessoas que o não conheciam, e os polícias que andavam, como de costume, dois a dois pelas estradas e que o faziam se esconder, por instinto, nas moitas ou por detrás das pedras. Quando os via de longe, reluzentes em seus uniformes ao sol, o aleijado encontrava de repente uma agilidade singular, uma agilidade de monstro, para alcançar qualquer esconderijo. Saltava nas muletas, e deixava-se cair à maneira de um trapo, rolando como uma bola, tornando-se pequenino, invisível, acaçapado como uma lebre na sua loca, confundindo os seus trapos russos com a terra.Apesar de nada dever, ele desenvolvera aquilo na massa  cerebral, como se houvesse recebido aquele temor e aquela manha dos seus ascendentes, que não conhecera...

          Não tinha refugio, nem teto, nem cabana, nem abrigo. Dormia por toda à parte, quer no verão quer no inverno,  introduzindo-se nas granjas ou nos estábulos com uma ligeireza notável. E se mandava aos primeiros albores das manhãs,  antes que houvessem dado pela sua presença. O aleijado conhecia os buracos para penetrar nas construções; e o manejar constante de suas muletas havia-lhe dado aos braços um vigor tão surpreendente, que trepava só à força de pulso até aos celeiros de forragens, onde se conservava quatro ou cinco dias sem ruídos, quando havia recolhido no seu giro as provisões suficientes...

Vivia como os animais dos bosques mas, no meio dos homens, sem conhecer ninguém, sem amar ninguém, não excitando aos camponeses mais que uma espécie de desprezo indiferente e de hostilidade resignada. Tinham-lhe posto a alcunha de "Sino" porque se balançava, entre as suas duas muletas de pau como um sino se balança entre os seus suportes.

II

          Havia dois dias que o aleijado não comia. Ninguém já lhe dava nada. Por fim, nem já o queriam ver. As pessoas às portas, gritavam-lhe quando o viam chegar:

          - Circulando aleijado vagabundo e mandrião!! Ainda não tem três dias que te dei pão e restos do jantar!

E o aleijado então girava sobre as suas estacas e dirigia-se à casa vizinha, onde o recebiam da mesma maneira. As mulheres declaravam de porta para porta:

          - Mas será possível que teremos que sustentar este vadio todo o ano.?

Todavia, o mandrião tinha necessidade de comer todos os dias. Sua desesperança o tinha feito percorrer as aldeolas conhecidas, sem no entanto, recolher um centavo ou uma simples refeição. Só lhe restara então, uma última esperança, a cidade grande mais próxima... Mas era-lhe preciso caminhar ainda umas oito léguas pela estrada real, e sentia-se cansado a ponto de não poder arrastar-se mais, tendo a barriga tão vazia como a algibeira. Apesar de tudo, pôs-se em marcha. Era julho, um vento frio percorria os campos, sibilava nos ramos nus; e as nuvens galopavam através do céu baixo e sombrio, apressando-se em seguir não se sabe para onde. O aleijado caminhava lentamente, deslocando os seus suportes um após outro com penoso esforço, escorando-se na perna torcida que lhe restava, terminada por um pé aleijado e calçado por um trapo.

          De tempos em tempos, assentava-se à beira da estrada e descansava alguns minutos. A fome punha uma grande mágoa na sua alma confusa e pesada. Ele só tinha uma idéia: «comer», mas não sabia como...Durante oito horas, penou na comprida estrada depois, quando avistou as arvores e primeiros sinais de edificações da cidade grande, apressou os seus movimentos. O primeiro lavrador que encontrou e ao qual pediu esmola, respondeu-lhe:

          -Sai daqui coisa estropiada e diabólica... fora de minhas vistas!!

E  "Sino" afastou-se. De porta em porta não foi diferente..., correram-no, recambiaram-no, sem lhe darem nada. E ele continuava, apesar disso, o seu giro, paciente e obstinado, sem lograr matar a fome ou ganhar uma moeda sequer. Então visitou as chácaras e sítios, caminhando através das terras amolecidas pelas chuvas, por tal forma cansado que nem sequer dava conta mais de levantar as muletas. Escorraçavam-no de toda a parte. Era um desses dias frios e tristes em que os corações se fecham, em que os espíritos se irritam, em que a alma está sombria, em que a mão não se abre nem para dar nem para socorrer.

Quando acabou de visitar todas as casas que conseguiu, foi cair ao canto de uma vala, ao longo do pátio em frente à casa do estancieiro Sr Juca Melão. Esperava não se sabe o que, naquela vaga esperança que existe constante em nós.

          Esperava no canto daquele pátio, debaixo do vento gelado, o auxílio misterioso que se espera do céu ou mesmo dos homens, sem que se saiba como, nem porque, nem por quem ele nos poderá chegar. E ali estava o aleijado, imobilizado de fome e sofrimentos  quando à sua frente passou um bando de galinhas pretas a cacarejar em azáfama própria das penosas,  buscando a sua vida na terra que alimenta todos os seres. A cada instante bicavam um grão ou um inseto invisível, depois continuavam as suas buscas lentas e segura. "Sino" olhava para elas sem pensar em nada; depois veio-lhe, mais no ronco infame da barriga propriamente à cabeça, que um daqueles bichos seria bom para comer assado entre duas achas de lenha secas, em um fogo quentinho e reconfortante. A suposição de que ia cometer um roubo nem de leve lhe passou pela idéia. Pegou numa pedra que se achava ao alcance da mão, e, em lance certeiro, atirou por terra a ave que estava mais próxima.

          A ave caíra de flanco e o «Sino», escalando novamente as suas muletas, pôs-se em marcha para ir apanhar a sua caça, com movimentos iguais aos das galinhas. Ao chegar perto do pequeno corpo preto manchado de vermelho na cabeça, recebeu um empurrão terrível pelas costas, que o fez cair das muletas e o fez rolar a dez passos para frente.

Era o Sr Melão que espumava.. doido de ódio. Avançando célere sobre o aleijado caído, encheu-o de pancadas, com o punho e com o os pés por todo o corpo do enfermo, que não podia defender-se. As pessoas da estância chegaram por sua vez e puseram-se com o patrão a sovar o aleijado. Depois, quando se cansaram de surrá-lo, agarraram nele e fecharam-no numa casinha de lenha, enquanto iam a busca da polícia. "Sino", meio morto, sangrando e estourando de fome, ficou deitado no chão. Chegou a tarde, veio à noite, depois a aurora, e ele sem comer.

          Pelo meio dia, os policiais apareceram e abriram a porta com precaução, esperando uma resistência, porque o Sr Melão, homem honrado e cumpridor de seus deveres como cidadão dizia ter sido atacado pelo vadio e ter-se defendido a grande custo. O cabo bradou:

          - Vamos! levanta safado!

Mas "Sino" não podia se mexer... Bem que ainda tentou por-se de pé nos seus suportes, mas não o conseguiu. Julgaram que era fingimento, que era manha, que era má vontade do malfeitor, e os dois homens armados trataram-no da forma que toda polícia de todo mundo, todo tempo e lugar sabe fazer... E plantaram-no à força sobre as muletas. O medo então, terrível,  apossara-se dele. Aquele medo inato que os desgraçados têm das correias militares, o medo da caça em presença do caçador, do rato diante do gato. E, com esforços sobre-humanos o aleijado conseguiu se por de pé.

          - Marche! disse um dos policiais... Ele marchou. Todo o pessoal da estância o via partir. As mulheres mostravam-lhe o punho; os homens chacoteavam-no, injuriavam-no: tinham-lhe dado fim! Estavam livres. Ele afastou-se entre os dois guardas. Achou a energia desesperada que lhe era precisa para se arrastar ainda até à noite, embrutecido, não sabendo nem sequer o que lhe sucedia, assustado por demais para que pudesse compreender. As pessoas que o encontravam detinham-se para vê-lo passar e murmuravam...

- É algum ladrão!

Pela noitinha, chegaram à comarca. O aleijado nunca tinha ido até ali. Não dava verdadeiramente conta do que se passava nem do que lhe podia acontecer. Todas aquelas casas novas o consternavam, confundiam-no ainda mais que as dores pelo corpo, pelos cacos de dentes quebrados aos chutes da turba e pela fome atroz que graçava...Não pronunciou mais uma palavra, nada tendo a dizer, até porque nada compreendia. Desde muitos anos que não falava a ninguém, por isso quase perdera o uso da linguagem. Encerraram-no na prisão da vila. Os policiais não pensaram em que ele poderia ter vontade de comer, e deixaram-no até ao outro dia. Quando vieram para o interrogar, logo de manhãzinha, acharam-no morto, no chão.

Que surpresa!...

Novembro de 2006
MariaAntonietaRdeMattos.

     http://mariaantonietta.multiply.com       mariahantonieta2003@yahoo.com.br