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Publicação Mensal - Ano I - Número 2 - 1 de Junho de 2008 - São Paulo - SP -  Editoria: marialuiza@kellyneta.com.br

NOSSOS LIMITES 
Superá-los ou submetermo-nos?

Maria Luiza
Redatora
                      

          Na vida, seja em que área for, existe uma coisa ser sempre necessária a todos:

“Prudência”

          Por vezes temos vontade de simplesmente não darmos ouvido a nossa razão e ultrapassamos barreiras que podem ser cruciais para nossa sobrevivência social.

          Tudo isso tem um nome:

“Limite pessoal”

          Através de muitas experiências pessoais minhas e de pessoas próximas, além de anos de psicoterapia, que os limites são naturais para a nossa própria proteção.

          Não que eu seja contra ultrapassá-los vez ou outra, mas sim por que sou completamente favorável e defensora do bom senso que habita dentro de cada um de nós.

          Somos seres dotados de inteligência, mas as vezes nos sentimos tão fragilizados que a esquecemos e sem medirmos devidamente as conseqüências, nos colocamos em risco, quase sempre nos machucamos e arrependemos de não ter dado ouvidos a este instinto que insiste em disparar seus alarmes dentro de nossas mentes.


          Nestes momentos em que estamos fragilizados, é onde se faz a guerra entre o anjinho e o diabinho, cada um puxando para seu lado.

          Darei um exemplo básico que já aconteceu inúmeras vezes comigo e que também já presenciei no chat do BCC anos atrás:

          Eu conversava com algumas conhecidas, quando uma CD estranha ao meu círculo de amizade, aproximou-se e me convidou para uma conversa em privativo, pois precisava de conselhos.

          Prontamente me coloquei a disposição e logo iniciamos um dialogo na qual ela externava o desejo de hormonizar-se.

          Perguntei com que intenção ela queria fazer isso e obtive a resposta de que era para sentir-se feminina.

          Eu não dou conselhos a respeito de nomes ou dosagens de medicamentos, pois acho que é uma responsabilidade muito grande para ser dado de maneira leiga e incentivadora à pessoas que podem não ter estrutura emocional para suportar as conseqüências.

          Mesmo assim ela insistiu que estava precisando muito saber e que estava pronta para assumir qualquer efeito que pudesse ter no futuro, menos a perda de libido, a liberdade de poder tirar a camisa sem que ninguém, incluindo sua esposa, notasse que estava se medicando e os seios crescendo, entre outras transformações.

          Então perguntei porque ela tomaria uma coisa que além de colocar em risco todas as limitações que descreveu, ainda poderia trazer problemas sérios de saúde sem uma avaliação médica especifica.

          Ela queria apenas se sentir mulher, insistiu, então recomendei que procurasse um endocrinologista já que ela tinha tanta certeza do que queria para si.

          Foi aí que fui ofendida com palavras de baixo calão e disse-me que eu estava de má

vontade com ela e na seqüência abandonou a sala de bate-papo privada, ignorando-me.

          Fatos como este é um exemplo de alguém que está pronta para ultrapassar seus limites, mesmo sabendo de todos os problemas que possam enfrentar, não querendo ouvir alguém que possa trazer um pouco de luz ao seu dilema, preferindo ouvir aquelas pessoas que estão prontas para simples e irresponsavelmente darem incentivo para que ultrapasse o limite do bom senso.

          Claro, não são elas que estarão se arriscando, mas sim quem as ouvem sem se dar ao trabalho de ao menos ponderar outras opiniões.

          Lembrem-se, foi por dar ouvidos ao conselho da serpente que Adão e Eva foram expulsos do paraíso e se eles soubessem se planejar, poderiam estar atualmente com uma empresa de suco de maçã.

          Não só no mundo CD que se falam de limites.

          No mundo transexual também é assim.

          Não é a toa que anos de terapia são exigidos por lei, laudos e principalmente vivencia diária e ininterrupta como pessoa do sexo pretendido, para poder se colocar socialmente em todos os níveis.

          Não basta ter o desejo de simplesmente mudar de sexo e achar que tudo será fácil.

          Não é se atirando de cabeça sem medir as conseqüências imediatas ou a longo prazo que se faz.

          Primeiramente é necessário procurar estruturar sua vida, principalmente no campo familiar.

          No  trabalho, fundamentalmente, buscar alguma certeza de sobrevivência adequada dentro de sua profissão.

          Não adianta nada dar ouvidos a ansiedade e esquecer o bom senso.

          Na batalha pela nossa vida, devemos usar de   astúcia e estratégia para vencer, porém de maneira alguma devemos abrir mão do nosso planejamento.

          Para quem quer dar algum passo tão importante como este, busque o auxilio de profissionais que trabalham com isso, exponha seus desejos, seus medos e ansiedades e procure ouvir o que aquele profissional tem a dizer, pois com certeza ele estará mais qualificado do que qualquer leigo a dar-lhe conselhos corretos.

          Na longa estrada da vida antes de sair correndo em direção do seu destino, analise o caminho que tem pela frente e faça cuidadosamente um roteiro, levando em conta, “postos de gasolina, hotéis, rodovias menos esburacadas e até mesmo barcos e aviões se for o caso, jamais esquecendo de levar água e alimentos, óculos de sol e rádio”. rssss

          Passei por muita coisa em meu processo, foram barreiras e mais barreiras que tive que enfrentar, umas mais fáceis e outras mais difíceis, mas todas validas para que eu chegasse onde cheguei e principalmente com a aceitação social e familiar que conquistei.

          Meus limites um a um foram sendo ultrapassados com segurança.

          Hoje reconquistei o amor de minha família, tenho alguém que amo e acredito que ele goste de mim por eu ser a pessoa que sou.

          Tenho minhas perspectivas profissionais a serem realizadas e minha cirurgia a ser feita mas, estou bem porque sei que é apenas uma questão de viabilizar os valores.

          Não estou ansiosa, pois, sei que a felicidade total é apenas uma questão de tempo.

          Ao final da história, o que vale mesmo é o dito popular:

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“Bom senso e canja de galinha, não faz mal a ninguém!”.