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Nestes
momentos em que estamos fragilizados, é onde se faz a guerra
entre o anjinho e o diabinho, cada um puxando para seu lado.
Darei um exemplo básico que já aconteceu inúmeras vezes
comigo e que também já presenciei no chat do BCC anos atrás:
Eu conversava com algumas conhecidas, quando uma CD estranha
ao meu círculo de amizade, aproximou-se e me convidou para
uma conversa em privativo, pois precisava de conselhos.
Prontamente me coloquei a disposição e logo iniciamos um
dialogo na qual ela externava o desejo de hormonizar-se.
Perguntei com que intenção ela queria fazer isso e obtive a
resposta de que era para sentir-se feminina.
Eu não dou conselhos a respeito de nomes ou dosagens de
medicamentos, pois acho que é uma responsabilidade muito
grande para ser dado de maneira leiga e incentivadora à
pessoas que podem não ter estrutura emocional para suportar
as conseqüências.
Mesmo assim ela insistiu que estava precisando muito saber e
que estava pronta para assumir qualquer efeito que pudesse ter
no futuro, menos a perda
de libido, a liberdade de poder tirar a camisa sem que
ninguém, incluindo sua esposa, notasse que estava se
medicando e os seios crescendo, entre outras transformações.
Então
perguntei porque ela tomaria uma coisa que além de colocar em
risco todas as limitações que descreveu, ainda poderia
trazer problemas sérios de saúde sem uma avaliação médica
especifica.
Ela queria apenas se sentir mulher, insistiu, então
recomendei que procurasse um endocrinologista já que ela
tinha tanta certeza do que queria para si.
Foi aí que fui ofendida com palavras de baixo calão e
disse-me que eu estava de má
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vontade com ela e
na seqüência abandonou a sala de bate-papo privada,
ignorando-me.
Fatos como este é um exemplo de alguém que está pronta para
ultrapassar seus limites, mesmo
sabendo de todos os problemas que possam enfrentar, não
querendo ouvir alguém que possa trazer um pouco de luz ao seu
dilema, preferindo ouvir aquelas pessoas que estão prontas
para simples e irresponsavelmente darem incentivo para que
ultrapasse o limite do bom senso.
Claro, não são elas que estarão se arriscando, mas sim quem
as ouvem sem se dar ao trabalho de ao menos ponderar outras
opiniões.
Lembrem-se, foi por dar ouvidos ao conselho da serpente que
Adão e Eva foram expulsos do paraíso e se eles soubessem se
planejar, poderiam estar atualmente com uma empresa de suco de
maçã.
Não só no mundo CD que se falam de limites.
No mundo transexual também é assim.
Não é a toa que anos de terapia são exigidos por lei,
laudos e principalmente vivencia diária e ininterrupta como
pessoa do sexo pretendido, para poder se colocar socialmente
em todos os níveis.
Não basta ter o desejo de simplesmente mudar de sexo e achar
que tudo será fácil.
Não é se atirando de cabeça sem medir as conseqüências
imediatas ou a longo prazo que se faz.
Primeiramente é necessário procurar estruturar sua vida,
principalmente no campo familiar.
No trabalho,
fundamentalmente, buscar alguma certeza de sobrevivência
adequada dentro de sua profissão.
Não adianta nada dar ouvidos a ansiedade e esquecer o bom
senso. |
Na batalha pela nossa vida, devemos usar de astúcia e
estratégia para vencer, porém de maneira alguma devemos
abrir mão do nosso planejamento.
Para quem quer dar algum passo tão importante como este,
busque o auxilio de profissionais que trabalham com isso,
exponha seus desejos, seus medos e ansiedades e procure ouvir
o que aquele profissional tem a dizer, pois com certeza ele
estará mais qualificado do que qualquer leigo a dar-lhe
conselhos corretos.
Na longa estrada da vida antes de sair correndo em direção
do seu destino, analise o caminho que tem pela frente e faça
cuidadosamente um roteiro, levando em conta, “postos de gasolina,
hotéis, rodovias menos esburacadas e até mesmo
barcos e aviões se for o caso, jamais esquecendo de levar
água e alimentos, óculos de sol e rádio”. rssss
Passei por muita coisa em meu processo, foram barreiras e mais
barreiras que tive que enfrentar, umas mais fáceis e outras
mais difíceis, mas todas validas para que eu chegasse onde
cheguei e principalmente com a aceitação social e familiar
que conquistei.
Meus limites um a um foram sendo ultrapassados com segurança.
Hoje reconquistei o amor de minha família, tenho alguém que
amo e acredito que ele goste de mim por eu ser a pessoa que
sou.
Tenho minhas perspectivas profissionais a serem realizadas e
minha cirurgia a ser feita mas, estou bem porque sei que é
apenas uma questão de viabilizar os valores.
Não estou ansiosa, pois, sei que a felicidade total é apenas
uma questão de tempo.
Ao final da história, o que vale mesmo é o dito popular:
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“Bom
senso e canja de galinha, não faz mal a ninguém!”. |