Ver Outras Edições

Publicação Mensal - Ano I - Número 1 - 1 de Maio de 2008 - São Paulo - SP -  Editoria: marialuiza@kellyneta.com.br

COLUNAS

Ou... Cantinhos Especiais!

Cantinho da
Cris Camps

O PERIGO MORA AO LADO

 

 

          Nada com relação a minha vizinha de coluna, me refiro aos perigos que as CDzinhas de armário passam ao arriscarem-se sair sozinhas à noite em ruas escuras e desertas, ou em voltinhas sem rumo de carro.

          Fiz muito isso e posso falar com autoridade: é muito arriscado. Um assalto, grupos skins, ou um simples acidente de trânsito, podem transformar a vida da CDzinha num inferno.

          Nossa querida Jorgete Del Rio nos ensina há tempos que, “Uma CD sozinha, não vai a lugar algum”. Nada mais perfeito do que isso.

          Gente, hoje em dia tem tanto recurso e tanta CD amiga que pode ajudar, que não justifica o risco de ser reconhecida, descoberta, assaltada, ou ter que explicar uma batidinha de trânsito numa Delegacia de Polícia. Imaginem o transtorno.

           Já passei por muitas saias justas que, por sorte, não tiveram maiores conseqüências. Uma delas, há muitos anos atrás, foi quando passei por uma fiscalização da PF em plena manhã de Sol radiante. Saí do interior do RGS com destino à Porto Alegre, distante 400 km, com a convicção de que iria montada. Pois bem, encerrei a conta no hotel em que estava hospedada, parei o carro numa rua deserta, me montei toda, e peguei estrada feliz da vida toda bonitinha. Rodei uns 100 km, e numa curva, próximo a uma cidade, lá estava todo o aparato policial determinando a parada de todos os veículos. Gelei, fervi, desmaiei, enfim, tudo me aconteceu em poucos segundos até eu parar o carro.

          Pensei nesses segundos o que eu poderia fazer, mas nada me veio na mente devido à surpresa do fato. Chegou o policial e me pediu os documentos pessoais e do carro. Entreguei tudo tremendo que nem vara verde. Em seguida, pediu-me para ligar os faróis, sinal pra esquerda, sinal pra direita, luz de freio, uma revisão elétrica de rotina.

           Fiz tudo errado, embora estivesse tudo correto com o carro. Pois bem, o policial veio até a janela do carro e me disse: “Está tudo correto senhora, mas esse perímetro é urbano e a senhora estava acima da velocidade permitida no local, vamos ter que notificar. Quer me acompanhar até a viatura por favor”. Gelei, fervi, desmaiei novamente.

           Como que poderia ir até a viatura de saltinho, mini-saia, e toda maquiada?...nunca alguém sequer tinha me visto assim, e logo na primeira vez na rua de dia me acontecia isso?. Olhei para a viatura e estava cheio de gente ao redor sendo multada também. Abri a porta do carro, e não sabia se caminhava, me arrastava, se me jogava de cabeça no chão, mas fui...e nem sei como fui.

          Batendo saltinho no asfalto, atravessei a estrada, e parei ao lado da viatura da PF, esperando os olhares repugnantes para mim. Por sorte, ninguém notou nada, pois todos estavam preocupados em explicar os seus motivos.

          O policial que me parou, enfim preencheu a multa e perguntou: “você vai assinar?” , e eu, ahã...a essa altura, claro, ele já sabia de quem se tratava, pois havia conferido meus documentos e já estava me tratando por você. Assinei a multa e ainda escutei: “você deve cuidar os perímetros urbanos da próxima vez, pois as limitações de velocidade são menores”...e eu “ahã”, esse era o único som que saia de minha boca naqueles cruéis momentos. Peguei a multa e saí dali trocando as pernas, entortando o salto, e gelada que nem picolé.

          Pois bem, tive muita sorte, pois o policial foi totalmente educado e não complicou em nenhum momento com a minha situação.

          Esse relato serve para ver-mos o quanto somos vulneráveis quando algo inusitado e inesperado nos acontece. Porisso aconselho, nunca saia sozinha em locais desconhecidos e desertos. Apesar de fazer parte das atitudes de uma CD, o arrojo sempre deve ser calculado para que o risco diminua. E uma boa solução para que isso aconteça, é arrumar uma companhia para as deliciosas aventuras às ruas. 

          Lembre-se: “prudência e canja de galinha, não fazem mal a ninguém”

Beijos,

Cristina Camps
Dir. Contatos Reais BCC
www.criscamps.net 

Tunica em
Prosas e Versos
*** AMOR ETERNO ***


   
I
Ruge o mar, que se encrespa, se agiganta;

a lua, toda pura  prepara seu vôo ao léu...

E no momento mesmo em que se levanta

dá um beijo no mar seguindo rumo ao céu... 

  II
E aquele monstro indomável que respira

tempestades, sobe, desce, volteia e cresce...

Ao sentir o doce ósculo, apenas  suspira,

e em seu cárcere de rochas se estremece...

   III

E durante séculos e séculos perplexos,

eles sonham de amor nas noites estivais...

Ela dá à ele seus mais  límpidos reflexos;

Ele lhe oferece suas pérolas e seus corais... 

  IV
Com orgulho expressam seus amores,

estes velhos amantes assim afligidos...

Ela dizendo -Eu te  amo- em seus fulgores,

e ele atestando que a adora em seus rugidos... 

   V
Ela o adormece com sua luz mais pura,

e ele a arrulha com seu eterno grito...

Aproveita e conta de seu afã e amargura;

com sua voz que estronda em meio ao infinito...

  VI
Ela, pálida e triste, o olha enquanto  sobe...

pelo escuro espaço onde a luz lhe é rente...

E orando ela pede, sem ter  jeito esnobe,

que Deus oculte o duelo ainda à sua frente...

  VII

Pois compreende que seu amor é todo  impossível,

e o mar  sabe também em convulso abandono...

E se contemplam   em bola de cristal terrível,

desde o enorme  azul de onde ele tem o trono... 

  VIII
Então, ao descer atrás de uma serra marinha,

ela grita ao mar: - Em teu fulgor me abraço!...

- Não desças assim a tal ponto, estrela minha...

estrela de meu amor...Detenha teus passos... 

  IX
Um instante  contigo mitiga minha amargura,

já que com tua luz sideral e divina me banhas...

- Não vás embora .. Não vês tua imagem pura,

brilhar divinamente em minhas entranhas?..

  X
Ao que ela então  responde em louco temor:

- Eis que meu vôo e morte aqui circunda...

Deter-me já não posso meu grande amor;

compadeça-te pois desta infeliz  moribunda...

  XI
Meu último beijo, prenhe de paixão te envio,

meu  coração apaixonado a eternidade vai  beijar...

E ...detrás da serra, em meio ao escuro  vazio,

desaparece em definitivo para não voltar... 

  XII

E então o mar, de uma ponta à outra ponta,

acalma suas ondas ao ver  ser tola a braveza...

Imenso e   desvalido, entende que não conta

lutar sozinho... É apenas aumentar sua tristeza...

  XIII

E tudo se cala... O mar  não mais  importuna

com seus bramidos cheios de forte escarceu...

Mas sonha, miserável, com a visão noturna,

da próxima noite ter, de novo, sua amada lua no céu...

MariaAntonietaRdeMattos.
     http://mariaantonietta.multiply.com/
   mariahantonieta2003@yahoo.com.br


Esta poesia foi feita de coração para a Gazeta da Kelly abril de 2008